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Quanto o MEI gasta por mês? Todos os custos fixos do CNPJ

O custo obrigatório de um MEI em 2026 cabe em uma linha: o DAS. Todo o resto é escolha. O problema é que a maioria dos microempreendedores acumula três ou quatro assinaturas sem perceber e termina o ano tendo gasto seis vezes mais do que a lei exige.

1. DAS — o único custo realmente obrigatório

O DAS do MEI é um valor fixo mensal, reajustado junto com o salário mínimo. Com o mínimo de R$ 1.621 em 2026 (Decreto 12.797/2025), os valores são:

AtividadeValor mensalComposição
Comércio ou indústriaR$ 82,05R$ 81,05 de INSS + R$ 1 de ICMS
Prestação de serviçoR$ 86,05R$ 81,05 de INSS + R$ 5 de ISS
Comércio e serviçoR$ 87,05R$ 81,05 de INSS + R$ 1 de ICMS + R$ 5 de ISS

Vence todo dia 20. No ano, um MEI de serviços paga R$ 1.032,60. Repare que a maior parte disso é INSS — ou seja, é contribuição previdenciária que garante aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade, não é imposto perdido.

Emitir nota fiscal não aumenta esse valor. O ISS do MEI prestador de serviço já está embutido nos R$ 5. Essa é a confusão mais cara do público MEI: gente que deixa de emitir nota achando que vai pagar imposto a mais.

2. Conta PJ — hoje custa zero se você quiser

Vários bancos digitais oferecem conta PJ sem tarifa de manutenção para MEI. Bancos tradicionais costumam cobrar pacote mensal.

O ponto de atenção não é a tarifa, é o que vem junto. A conta Nu Empresas, por exemplo, tem uma Central de Impostos MEI que emite e paga a guia DAS dentro do aplicativo, sem entrar nos sistemas da Receita (consultado no blog do Nubank em agosto de 2026). Isso resolve a guia, mas não é emissão de nota fiscal — são coisas diferentes, e vale conferir o escopo de cada conta antes de assumir que o fiscal está coberto.

Custo realista: R$ 0 a R$ 60 por mês.

3. Contador — opcional para MEI

O MEI é dispensado de contabilidade formal pela Lei Complementar 123/2006: não há exigência de escrituração contábil, balanço nem DRE. Contratar é decisão de conveniência, não obrigação.

Quando faz sentido: se você tem funcionário registrado, se está perto do limite de faturamento e vai migrar para ME, ou se há pendência antiga para regularizar. Nesses casos o valor pago volta em segurança.

Quando não faz: se a rotina é emitir três notas e pagar uma guia por mês. Nesse cenário você está pagando mensalidade por tarefa operacional — vale fazer a conta por documento.

Custo realista: R$ 0 se você faz sozinho.

4. Taxas municipais — depende da cidade

Aqui não há resposta nacional. Cada prefeitura define suas próprias taxas, e há municípios que isentam o MEI e municípios que não.

  • Inscrição municipal (ou CCM, em São Paulo). Em geral gratuita para abrir, mas é pré-requisito para emitir NFS-e em boa parte das cidades. Sem ela, a nota simplesmente não sai.
  • TFE e taxas de fiscalização. Em São Paulo, o MEI é isento — mas a isenção acaba no desenquadramento para ME. Em outras cidades a regra é diferente.
  • Alvará. Atividades de baixo risco costumam ter licenciamento automático, sem custo.

Custo realista: R$ 0 na maioria dos casos de MEI, mas confirme na sua prefeitura.

5. Maquininha e recebimento — o custo que ninguém soma

Este é, silenciosamente, o maior custo variável de muito MEI. Taxas de cartão e antecipação incidem sobre cada venda, então não aparecem como "conta a pagar" — aparecem como faturamento que chegou menor.

Se você fatura R$ 5.000 por mês e paga 3,5% em taxa, são R$ 175 mensais. Mais que o DAS e o contador somados. Vale revisar taxa e prazo de recebimento pelo menos uma vez por ano.

Custo realista: proporcional ao faturamento, tipicamente 0,99% a 4,99% por transação.

6. Certificado digital — quase sempre desnecessário para MEI

Para emitir NFS-e pelo Emissor Nacional, a conta gov.br em nível prata ou ouro costuma bastar. O e-CNPJ (certificado A1 ou A3) é exigido em situações específicas, como integração de sistemas e algumas obrigações de empresas maiores.

Se alguém te ofereceu certificado digital como condição para emitir nota como MEI, confirme antes de comprar.

Custo realista: R$ 0 para a maioria dos MEIs.

A soma dos dois cenários

ItemCenário enxutoCenário comum
DAS (serviços)R$ 86,05R$ 86,05
Conta PJR$ 0R$ 0
ContadorR$ 0R$ 150
Certificado digital (rateado)R$ 0R$ 20
App/sistema de gestãoR$ 0R$ 50
Total mensalR$ 86,05R$ 306,05
Total anualR$ 1.032,60R$ 3.672,60

A diferença é de R$ 2.640 por ano. Não é dinheiro pequeno para quem fatura R$ 4 ou R$ 5 mil por mês.

O custo que quase ninguém contabiliza: o seu tempo

Fazer sozinho não é gratuito no sentido absoluto — custa atenção. A rotina de um MEI prestador de serviço consome, realisticamente, de vinte a quarenta minutos por mês depois que está configurada: emitir as notas conforme os serviços acontecem, pagar a guia até o dia 20 e atualizar o relatório de receitas no fim do mês.

Se o seu tempo vale R$ 100 por hora, isso equivale a algo entre R$ 30 e R$ 65 mensais de custo de oportunidade. Ainda assim fica abaixo da mensalidade contábil média, e a diferença é que esse tempo compra também conhecimento sobre o próprio negócio: quem emite a própria nota sabe exatamente quanto faturou, para quem e quando, sem precisar pedir relatório a ninguém.

O cálculo só se inverte quando o volume cresce muito ou quando aparece obrigação que exige análise. Aí o tempo gasto deixa de ser rotina e vira risco.

Custos que aparecem uma vez e assustam

Além do fixo mensal, há gastos pontuais que costumam pegar o MEI de surpresa no primeiro ano:

  • Certificado digital, quando a atividade realmente exige. Vale confirmar a exigência antes de comprar.
  • Taxas de vistoria ou licenciamento, em atividades que não são de baixo risco.
  • Multa da DASN-SIMEI entregue com atraso, que tem valor mínimo e pode ser reduzida se paga dentro do prazo da notificação.
  • Juros e multa do DAS atrasado, calculados automaticamente pelo sistema no momento de gerar a guia.

Os dois últimos são inteiramente evitáveis, e são justamente os que mais aparecem. Programar lembrete para o dia 15 de cada mês e para o mês de maio resolve os dois.

Onde cortar e onde não cortar

Dá para cortar sem risco: mensalidade contábil quando não há funcionário nem pendência; certificado digital quando o gov.br resolve; sistema de gestão pago quando uma planilha dá conta do volume atual.

Não corte: o DAS. Atrasar acumula juros, interrompe a contagem para benefícios do INSS e, depois de um tempo, coloca o CNPJ em risco de inaptidão. É o pior lugar possível para economizar.

Revise todo ano: taxa de maquininha e prazo de recebimento.

Se a sua conta ficou mais perto do cenário comum do que do enxuto, o primeiro corte a testar é o mais simples: assumir a emissão da nota e a geração da guia. O Contabilidade Grátis foi feito para isso — o passo a passo é guiado e não há mensalidade.

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Perguntas frequentes

Qual o valor do DAS do MEI em 2026?

R$ 82,05 para comércio ou indústria, R$ 86,05 para prestação de serviço e R$ 87,05 para quem atua nas duas frentes. Os valores acompanham o salário mínimo de R$ 1.621 fixado para 2026.

Emitir nota fiscal aumenta o imposto do MEI?

Não. O DAS do MEI é fixo e já inclui o ISS ou o ICMS. Emitir nota não muda o valor pago, desde que o faturamento anual permaneça dentro do limite do MEI.

MEI é obrigado a pagar contador?

Não. A LC 123/2006 dispensa o MEI de escrituração contábil, balanço e DRE. A contratação é opcional e faz mais sentido quando há funcionário registrado, migração para ME ou pendências a regularizar.

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